0

Para crianças e adultos: os benefícios do ficar só e do ócio

pé

Sempre fui uma pessoa muito ativa daquelas que não pode ter um momento livre que já quer inventar alguma coisa para fazer. Também nunca gostei de ficar sozinha, sempre gostei de casa cheia. Para mim, não ter o que fazer me deixava ansiosa..o ócio raramente me agradou. Depois que morei fora..tive que aprender na marra a lidar com a solidão e a curtir a sair sozinha ou ficar em casa..curtindo qualquer programa comigo mesma.

Depois desse período melhorei um pouco com relação a isso..mas é claro que ainda me considero muito ativa..e prefiro não ter tempo para nada a ter muito tempo livre sem saber o que fazer com ele. Como acho que não aprendi a “lição” direito..a Joana chegou ..novamente para me ensinar que devo desacelerar a vida…que devo curtir as pequenas coisas..sem pressa. Devo aprender a sentir a vida.

Aprender a se curtir e a gostar de passar momentos sozinhas também fazem parte da elevação da autoestima. É uma lição de amor-próprio.

Outro dia uma amiga querida..me passou um texto que me gerou muito reflexão. Não só sobre mim, mas sobre como desejo criar minha filha. O texto está totalmente relacionado com os benefícios do ficar SÓ e do ócio. Claro, que tudo deve ser na medida…nem tédio demais, nem de menos!

Confira a seguir:

divisores blog1

Contardo Calligaris

A favor do tédio 

O que é mais ‘educativo’ para as crianças? A diversão? Ou a chance (forçada) de se entediar?

Alguns livros recentes tratam dos malefícios de nossa constante vontade de encontrar diversões. Como sugere o título de um deles, “The Distraction Addiction” , de Alex Pang (Little, Brown and Company), a vontade de se distrair seria um vício, uma forma de dependência.

Também, desde o começo do ano, leio artigos de revista sobre “os surpreendentes benefícios do fato de sentir tédio”.

Os livros não me pareceram imperdíveis. E os artigos nas revistas de grande circulação citam “pesquisas” por ouvir dizer. Mas tanto faz. O conjunto manifesta um novo clima, segundo o qual a necessidade de sermos entretidos e estimulados continuamente não tornaria nossa vida mais rica e variada –ao contrário, é possível que essa dispersão empobreça nossa experiência.

Já foi dito por evolucionistas que a sorte de nossa espécie foi sua fraqueza: enquanto passávamos horas a fio escondidos e calados nos arbustos, esperando as feras passarem, a imobilidade e o tédio forçados produziram o surgimento da consciência, do pensamento e da fantasia. Que tal aplicar essa hipótese no campo da educação?

O que é mais “educativo” para as crianças? A diversão? Ou a chance de se entediar?

Umberto Eco atribui ao filósofo Benedetto Croce uma frase que ele cita com frequência: “O primeiro dever dos jovens é o de se tornar velhos”. Esse slogan não tem como ser muito popular numa época em que o primeiro dever dos velhos é o de eles parecerem jovens. De fato, nesta nossa época, os adultos não ajudam os jovens a envelhecer; eles preferem mantê-los na mesma criancice que eles desejam para si.

Há pais agentes de viagem e relações-públicas, que, a cada dia, organizam programas “divertidíssimos” para seus rebentos. Esses pais procuram amigos para brincadeiras coletivas e oferecem, a jato contínuo, coquetéis de televisão, cinema, compras, videogames e até livros: qualquer coisa para evitar que a criança conheça a solidão e o enfado. Sabe-se lá quais pensamentos surgiriam numa mente entediada, não é?

Certo, é preciso estimular as crianças para que elas se desenvolvam na interação com o mundo. Mas o problema é que, sem tédio maçante, ninguém, criança ou adulto, consegue inventar para si uma vida interior. E para que serve uma vida interior? Se forem pensamentos aos quais recorremos quando não temos nada para fazer, não é mais simples a gente se manter ocupado e não precisar da tal vida interior?

O problema é que há uma boa parte da vida exterior que, sem vida interior, é totalmente insossa. Tomemos o exemplo do erotismo.

Está aberta até dia 12 de janeiro, no Metropolitan de Nova York, a exposição “Balthus: Cats and Girls” (Balthus: gatos e meninas). O catálogo, com o mesmo título, contém uma excelente introdução da curadora, Sabine Rewald.

Balthus (1908-2001) pintava com frequência gatos e meninas, juntos ou separados. Os gatos são ótimos administradores de seu tédio. Eles sabem se divertir quando a ocasião se apresenta, mas também sabem não fazer nada. Nisso, eles batem os cachorros, que sempre parecem aliviados quando finalmente têm algo para fazer.

Agora, esse dom da gestão do tédio, os gatos têm em comum com as meninas que Balthus pinta, que são todas, antes de mais nada, entediadas.

As longas sessões nas quais posavam para o pintor talvez servissem deliberadamente para produzir o tédio que Balthus queria pintar. Há as meninas quase vencidas pelo sono no meio da leitura, há as que jogam paciência no silêncio palpável da tarde numa casa de província francesa –todas parecem entregues a devaneios inquietantes.

A gente pode se indignar com a diferença de idade entre Balthus e suas modelos adolescentes, mas o fato é que os retratos das meninas são uma extraordinária ilustração de que o tédio e a indolência são as portas que levam aos pensamentos impuros.

Ou seja, é bem provável que a criança entediada tenha uma vida erótica adulta mais interessante do que a criança que cresceu de joguinho em joguinho, de amiguinho em amiguinho, de diversão em diversão.

O que me leva, aliás, a uma suspeita. Os pais que combatem o tédio dos filhos talvez estejam combatendo possíveis “pensamentos impuros” –videogames, filmes, amigos, tablets e futebol, tudo contra o espantalho da masturbação, que espreita a criança entediada e solitária.

Agora, sem pensamentos impuros na criança, o que será o erotismo do adulto no qual essa criança se tornará? Um erotismo sem vida interior, talvez.

ccalligari@uol.com.br

@ccalligaris

Advertisements
1

Mais Malalas, please!

Este sábado em meio a uma feijoada cheia de crianças me deparei com algo triste ou, no mínimo, angustiante. Ouvir uma garota de sete anos cantar: “Prepara, que agora o show das poderosas..”. Não..não quero parecer chata ou dizer “ah na minha época era diferente..as meninas tinham mais infância e bla, bla bla”.

Na realidade, acredito que na minha época também tinham essas figuras femininas sensualizadas que influenciavam o público infanto-juvenil e adolescentes em geral como as Spice Girls e Britney Spears. Mas o que me pergunto é  até quando a indústria midiática vai ficar reciclando esses modelos de erotização, de beleza, etc.?

Ando com tanta preguiça disso tudo..de ver programas de TV em que mostram meninas com cabelo cacheados fazendo chapinha…ou com sombra nos olhos de tom azul… ou em ver garotas recém-saídas da infância já usando batons em tom vermelho ou vinho (sério já vi diversas vezes no shopping!)…porque está na moda.. ou em que meninos e meninas brancas são sempre heróis… enfim..a lista é grande de padrões ridículos e preconceituosos que a mídia tem apresentado por várias gerações.

Fico me perguntando se alguns desses jovens conhecem Malala Yousafzai. Uma pasquitaneza de 16 anos que se tornou conhecida no mundo todo há cerca de um ano após ter sido baleada na cabeça por Talibãs pelo motivo de defender a educação feminina em seu país.

Ela sobreviveu ao atentado, felizmente, e hoje vive na Inglaterra com sua família. Malala foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz recentemente. No entanto, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) levou a premiação deste ano.

Malala-Yousafzai1

Ainda assim, por que não podemos ter como modelos pessoas como Malala? Não vende? É pelo fato dela ser muçulmana? Por que a mídia não vai além e vê o que há de potencial na história dessa adolescente? Por que não mostrar a relevância de se engajar desde jovem, de se desenvolver um senso crítico e político acerca das coisas..? Enfim..apenas um desabafo!

Obviamente, os pais contam com papel primordial nisso tudo. Quem é pai e mãe sabe …são os principais modelos e exemplos para os filhos. Cabe a nós orientarmos e estarmos presentes para que padrões produzidos pela indústria fonográfica, em especial, não sejam potencializados na cabeça dos pequenos.

Vamos ajudar a romper esse ciclo!

PicMonkey Collage2

2

Uso da internet por crianças e jovens

redes1Em meio a uma leitura da revista Carta na Escola, publicação que reúne matérias da revista CartaCapital com temas da atualidade para debate em sala de aula, me deparei com um texto bem interessante sobre o uso da internet por crianças e jovens no Brasil. A reportagem (leia na íntegra) destaca a pesquisa “TIC Kids Online Brasil 2012 – O Uso da Internet por Crianças e Adolescentes no Brasil“, em que foi comprovado que  o primeiro acesso à internet no País acontece, em média, entre os nove e dez anos de idade.

O estudo realizado pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação aponta ainda as dificuldades das escolas em se adequarem ao perfil desses jovens antenados e que buscam métodos de aprendizagem além das abordagens pedagógicas convencionais. Outro ponto interessante destacado na matéria é a dispariedade da inclusão digital no Brasil e como isso tem influenciado no acesso democrático à internet.

“A inclusão digital de jovens não depende da aplicação da tecnologia a políticas pedagógicas somente. É possível até mesmo dizer que nisto não há muita diferença entre escolas públicas e privadas, pois as privadas podem até estar mais à frente no sentido de ensinar os alunos a manipular o computador, mas também não utilizam os recursos digitais para criar novas propostas de ensino, como utilizar um game para resolver uma equação de segundo grau”, explica Regina de Assis, mestre e doutora em Educação pela Universidade de Harvard e pela Universidade de Colúmbia e consultora em mídia e educação. (Trecho da reportagem da revista Carta na Escola). 

Falando agora da pesquisa, de forma mais detalhada, um ponto que me chamou a atenção foi o tópico “Uso Seguro da Internet”, que fornece dicas e recomendações para pais e responsáveis sobre como ajudar crianças e adolescentes a adotarem uma postura preventiva. Eis um trecho do estudo a seguir:

O primeiro passo para se prevenir dos riscos relacionados ao uso da Internet é estar ciente de que ela não é “virtual”. Tudo o que ocorre ou é realizado por meio da Internet é real: os dados são reais, e as empresas/pessoas com as quais interagimos são as mesmas que estão fora dela.
Desta forma, os riscos aos quais estamos expostos ao usá-la são os mesmos presentes em nosso dia a dia, e os golpes que são aplicados por meio dela são similares àqueles que ocorrem na rua ou por telefone (Retirado das págs. 70 e 71 da pesquisa em – “Recomendações de Segurança”). 

[…]

Algumas atitudes que pais ou responsáveis podem tomar para proteger seus filhos dos riscos de uso da Internet são:
• Manter o computador em um local público da casa (por exemplo, na sala ou próximo à cozinha). Assim, mesmo a distância, é possível observá-los, orientá-los e participar juntamente com eles das atividades;
• Configurar a função “controle para pais” disponibilizado em alguns sistemas para tentar evitar que os filhos tenham contato com conteúdo indevido;
• Alguns jogos bastante apreciados pelos filhos permitem que você controle as ações que eles podem tomar e podem auxiliá-lo a protegê-los 

Para quem quiser se aprofundar no tema desse estudo é bem interessante e traz diversos indicadores sobre local, frequência e atividades realizadas pela internet por crianças e adolescentes, dentre outros assuntos como a importância da implementação de políticas públicas voltadas para a inclusão digital. Se tiver um tempo, vale muito a leitura!